Busca excessiva por alimento saudável pode gerar distúrbio

Ortorexia. Especialistas alertam que transtorno alimentar provoca doenças como anemia e osteoporose
Busca excessiva por alimento saudável pode gerar distúrbio
Pessoas com o mal ficam até três horas por dia planejando o que vão ingerir

Que o excesso de doce, gordura ou colesterol é prejudicial à saúde todo mundo já está cansado de ouvir. Mas o que pouca gente sabe é que a obsessão por ficar longe de alimentos não-saudáveis também pode fazer mal ao organismo. A preocupação excessiva com uma alimentação correta pode desenvolver a ortorexia – distúrbio alimentar que provoca doenças como anemia e osteoporose.

O problema não é gostar de se alimentar corretamente, mas a preocupação exagerada com a comida que parece ser a mais saudável. Segundo a diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e especialista em transtorno alimentar, Maria del Rosário, o distúrbio atinge principalmente mulheres com idade média de 30 anos.

Ela explica que os obcecados pelo saudável gastam mais de três horas planejando o que vão comer e costumam eliminar grupos de alimentos importantes para o organismo. “Eles cortam substâncias essenciais como laticínios e não substituem por alimentos equivalentes. O resultado disso é desnutrição”, diz. Pessoas com ortorexia têm dificuldade de comer fora de casa, pois também têm a maneira certa de preparar a comida.

Normalmente, o problema não é detectado pela própria pessoa, lembra a nutróloga. Muitas vezes, é preciso a família observar que a busca pela comida correta está passando dos limites. “Quem desenvolve o distúrbio pensa que está se alimentando melhor do que todos. Os parentes precisam ficar atentos a um possível emagrecimento, corte exagerado de alimentos e constante busca de dicas saudáveis na mídia”, destaca.

Correr de comidas não saudáveis é a especialidade da estudante Danilla Lages, 27. Ela acredita que não desenvolveu o distúrbio, mas confessa que exagera na busca pela comida correta. “Não como nada na rua, pois não confio nos restaurantes. Comida saudável é a feita em casa, por isso já passei mal de tanta fome”.

A estudante relata que gasta muito tempo em suas compras, pois faz questão de ler cada detalhe da tabela de nutrientes dos produtos. “Tento não consumir alimentos com conservantes e sódio, por exemplo. Minha compra é constituída basicamente de frutas, verduras e cereais. Não como carne porque ela demora para ser digerida, mas compenso com alimentos à base de soja”.

Consequência
Psicológico e vida social são afetados

A aversão ao alimento considerado pouco saudável pode acarretar prejuízos que vão além de doenças físicas. Segundo a nutricionista Lívia Siqurira Campos Alves, pessoas que ficam o tempo todo preocupadas com o alimento correto podem desenvolver problemas emocionais.

“Elas adquirem uma personalidade irritadiça e embarcam em um círculo vicioso, ficando cada vez mais preocupadas com a alimentação”. A nutróloga Maria del Rosário destaca que o distúrbio também pode levar a quadros mais sérios como transtorno obsessivo-compulsivo.

Lívia lembra, ainda, que a ortorexia também isola as pessoas, pois elas estão tão preocupadas com o cardápio perfeito que deixam de frequentar compromissos sociais. “Dificilmente elas se sentirão confortáveis em eventos nos quais tenham que consumir alimentos ou bebidas diferentes. Isso acarretará um afastamento da vida social e carência afetiva”, afirma. (TB)

Solução
Equilíbrio para evitar problema

Se a pessoa não se preocupa com a própria alimentação prejudica a saúde, mas, se ela pensa demais na qualidade da comida, também pode ficar doente. O que parece um impasse pode ser resolvido com bom senso e equilíbrio. A nutróloga Maria Del Rosário explica que a melhor opção é procurar uma análise nutricional e evitar as constantes dicas da mídia. “Às vezes a televisão ensina uma receita muito saudável, mas nem sempre ela se adequa ao organismo de quem está assistindo”, diz. Ela explica que uma boa alimentação deve ter a qualidade, a quantidade, a adequação e a harmonia corretas.

A produtora musical Tatiana Carneiro Tonucci, 27, acredita que encontrou esse equilíbrio. Na casa dela, quase não entram os alimentos industrializados, pois faz questão de que tudo seja o mais natural possível. “Evito o milho enlatado, por exemplo. Prefiro comprar o milho e ralar. Molho de tomate também sou eu quem faço, cozinhando o tomate fresco que comprei no sacolão”, diz.
Mas a busca pelo saudável não fez com que Tatiana ficasse obsessiva. “Às vezes me dá vontade de comer um salgado na rua ou tomar um refrigerante. De vez em quando também libero chocolate ou sorvete para minhas filhas”, conta. Para ela, o segredo de não exagerar no saudável é comer com qualidade e também com prazer.

Fonte: O Tempo

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